COP15, resultados

Posted by: Felipe Lima on December 19, 2009

Foi melhor do que nada

Há 10 dias escrevi brevemente sobre a Conferência climática que aconteceu na Dinamarca (Copenhagen) quando ela ainda estava em progresso. Após a conclusão do evento, pouco se avançou no processo de amenização dos problemas ambientais.

O ministro brasileiro do Meio Ambiente, Carlos Minc, criticou os resultados da conferência, pois, para ele, criar um fundo de bilhões de dólares para ajudar os países pobres a cumprirem sua meta não é o bastante.

Esse valor de US$ 30 bilhões para todos é menos do que o Brasil sozinho vai gastar para cumprir as nossas metas, aprovadas pelo nosso parlamento (Carlos Minc)

Além disso, o ministro afirmou que é importante cobrar de países como Estados Unidos e China o cumprimento de suas metas. A opinião da ONU sobre a COP15 nas palavras do secretário-geral foi de que

O Acordo de Copenhague pode não ser tudo o que todos esperavam, mas é um começo importante.  (Ban Ki-Moon)

Apenas 26 países aderiram ao acordo. Apesar disso, Sérgio Serra, embaixador das questões climáticas do Brasil e líder da delegação brasileira na Conferência, considerou o acordo representativo, pois há representação de países de todas as regiões. França, Alemanha, Grã-Bretanha,  Japão, Rússia, Austrália, Arábia Saudita, Canadá são alguns dos países favoráveis ao acordo. Venezuela, Equador, Cuba e Nicarágua foram extremamente contra ao acordo.

Ele abrange um grupo bem amplo de países, de todas as regiões. Chegamos ao máximo que foi possível nesta COP-15. (Sérgio Serra)

A maior crítica a conferência foi em relação a ausência de metas. Muito foi discutido, mas não houve estabelecimento de metas para os países. Nesse sentido, o presidente Lula foi enérgico em afirmar que todos estavam lá para resolver a questão, não adiá-la.

Sem nada sobre as metas, foi muito decepcionante. (Sérgio Serra)

Liderando o acordo, estavam os Estados Unidos, o Brasil, a China, a Índia e a África do Sul. O presidente francês, após a inclusão da União Européia no acordo, afirmou que ele é melhor do que nada.

Não vou negar que houve bastante tensão. Num determinado momento chegámos a pensar que alguns dos principais participantes se preparavam para abandonar a conferência e enfrentámos a possibilidade de não obter nenhum acordo. Mas se não tivéssemos obtido um acordo isso significaria que dois países tão significativos como a China e a Índia, que representam dois mil e quinhentos milhões dos seis mil milhões de habitantes do planeta, estariam livres de qualquer tipo de restrição. (Nicolas Sarkozy – Presidente da França)

Conclusão

  1. Reduzir em 50% até 2050 as emissões dos gases responsáveis pelo efeito estufa
  2. Foi estabelecido que 2ºC deve ser o teto do aumento de temperatura
  3. Se tudo seguir conforme o combinado, a redução dos gases será de apenas 16% o que vai resultar no aumento de 3ºC na temperatura
  4. Não há nenhuma instância internacional responsável pela fiscalização do que foi estabelecido no acordo

Durante a Conferência foram presas 230 pessoas (ativistas). A polícia usou gás lacrimogênio, cães e gás de pimenta. Circularam aproximadamente 140 jatos privados. Foram alugadas mais de 1200 carros de luxo dos quais apenas 5 possuem motor elétrico. Nos 11 dias de encontro, foram emitidos aproximadamente 40.000 toneladas de CO2. Em 2010, outra conferência será realizada no México para discutir novamente as questões ambientais do planeta.

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